Press Soberania energética para "desarmar" Putin

Opinion Articles | 04-05-2022 in Diário de Notícias

Nesta terça-feira, no quadro da resposta da UE à invasão da Ucrânia pela Rússia, o Parlamento Europeu debateu em Estrasburgo, com a Comissão Europeia, um conjunto de linhas de ação para assegurar a independência energética da Europa. Entre estas, a aposta nas renováveis, a eficiência energética e as novas interligações do gás que nos permitiriam diversificar os fornecedores e as nossas cadeias de abastecimento.

Este debate, para cuja realização o PSD contribuiu ativamente através dos esforços desenvolvidos na comissão da Indústria, Investigação e Energia e nas reuniões do grupo do Partido Popular Europeu, e pelo qual se continuará a bater, é de extraordinária importância para o nosso futuro. E não o digo apenas porque Portugal é parte interessada, por estar em causa também a interligação dos Pirenéus que poria fim ao nosso isolamento do resto da Europa no gás. Encontrar alternativas ao gás da Rússia, bem como ao seu petróleo e a outros produtos críticos, não representa apenas contribuir para a segurança energética da UE, mas, também, para a segurança física dos seus cidadãos.

Atualmente, a UE paga pela energia que compra ao país liderado por Vladimir Putin mais do dobro do que este gasta com a sua defesa. Sem esta fonte de receitas, a capacidade da Rússia para manter ou fazer mesmo escalar a sua "operação militar especial" ficará seriamente comprometida. A verdade simples dos factos é que, atualmente, a Rússia tem dois trunfos que tem usado exaustivamente no seu braço de ferro com o Ocidente: um é a ameaça nuclear e o outro a sua energia. Em relação ao segundo, temos voto na matéria, e não podemos abdicar do mesmo.

A UE paga pela energia que compra ao país liderado por Vladimir Putin mais do dobro do que este gasta com a sua defesa.

Isto não significa que não se venham no futuro a retomar relações comerciais com aquele país. Uma Rússia de costas voltadas para a Europa não é algo desejável no longo prazo. Mas é completamente diferente fazê-lo numa posição de força ou de dependência. As lições desta crise internacional não podem ser esquecidas.

Entretanto, é preciso continuar a procurar respostas urgentes para as consequências sociais e económicas que a guerra está a ter na União Europeia, tanto para as famílias como para as empresas e diversos setores da indústria. E esse será precisamente o tema de um debate agendado para a manhã desta quarta-feira, no Plenário do Parlamento Europeu, com representantes do Conselho e da Comissão Europeia.


Da parte do Parlamento Europeu espera-se a defesa da resposta que a UE tem dado à agressão russa, nomeadamente no plano das sanções, mas também a constatação de que esta posição tem consequências negativas nas nossas vidas e na nossa economia, exigindo propostas concretas da parte da Comissão para que estas sejam mitigadas. Os efeitos da inflação e da falta de acesso a um conjunto alargado de produtos, serviços e componentes, devido à perturbação das cadeias de abastecimento, estão já a ser sentidos por todos os cidadãos. Mas também por empresas e indústrias de grande importância, em alguns casos pondo já em risco a continuação das suas atividades.

Parte muito importante desta resposta europeia à guerra é igualmente a garantia da segurança, acompanhamento e acolhimento adequado dados aos milhões de refugiados ucranianos. No caso deste conflito, uma das particularidades é o facto de as mulheres, frequentemente acompanhadas por crianças ou idosos, serem a grande maioria desta massa humana em movimento. Mulheres que enfrentam riscos acrescidos durante a sua deslocação. E que, uma vez chegadas ao destino, têm de não apenas garantir a sua própria sobrevivência como constituir-se como únicas cuidadoras daqueles que com estas viajaram. A situação das mulheres ucranianas será discutida nesta quinta-feira em Estrasburgo.

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