Press Pedro Nuno Santos não é de confiança

Opinion Articles | 29-11-2023 in Diário de Notícias

Enquanto em Almada, no 41.º Congresso Nacional do PSD, Luís Montenegro assumia com humildade, mas convicção, o desafio de merecer o voto dos portugueses nas próximas eleições legislativas, em Viana do Castelo, o candidato a (mas já autoproclamado) sucessor de António Costa no PS, Pedro Nuno Santos, deixava clara qual será a sua única estratégia de campanha: agitar, ad nauseam, o fantasma da extrema-direita.

Não se pode dizer que esta abordagem, de resto já seguida por António Costa nas últimas legislativas, seja surpreendente. Quando se pertenceu a um Governo que liderou Portugal durante tantos anos, tendo tão pouco para apresentar como credenciais, só resta mesmo a alternativa de tentar semear a desconfiança em relação aos opositores, por mais que estes digam, e repitam, que "não, é não". Os argumentos válidos e honestos para convencer alguém a votar no PS estão cada vez mais difíceis de encontrar.

E menos argumentos tem alguém que deixou esse Governo pela porta dos fundos, depois de uma trapalhada em que garantiu com veemência não ter aprovado uma indemnização de 500 mil euros a uma ex-administradora da TAP, entretanto também breve ocupante do cargo de secretária de Estado, para depois vir reconhecer que afinal o tinha feito, pelo WhatsApp, mas que se tinha esquecido. Isto, para citar apenas um dos vários casos polémicos envolvendo aquele que pretende ser o novo rosto socialista.

A primeira coisa que se exige a alguém que tem a pretensão de vir a liderar um país é que tenha respeito pela sua história e pelas suas instituições.

Mas há outro motivo para o candidato a líder do PS assumir esta tática desde o início. O mesmo que o levou a recusar debates com os concorrentes internos no partido, por considerar que estes dariam "argumentos à direita". É que, embora não seja fácil disfarçá-lo, a Pedro Nuno Santos não convém que os eleitores moderados do centro, os tais que decidem eleições, se apercebam até que ponto ele está à esquerda dentro do seu próprio partido. Não lhe convém que saibam que, à mínima hipótese, irá lançar-se entusiasticamente nos braços da extrema-esquerda e adotar uma agenda de governação que fará os anos da geringonça parecerem um período de liberalismo económico.

om todos os seus defeitos e erros de julgamento, António Costa, durante a geringonça, funcionou muitas vezes como um travão às exigências mais radicais dos partidos que o apoiavam. Já Pedro Nuno Santos seria, com elevado grau de probabilidade, um fervoroso executante de políticas que nos conduziriam a mais carga fiscal, mais Estado, mais despesismo, mais burocracia, menos investimento estratégico, menos incentivos à iniciativa privada, menos apoios para as PME, menos rendimentos disponíveis para as famílias. Ou seja: iria, não apenas replicar, mas potenciar a fórmula que tem condenado Portugal ao empobrecimento.

Enquanto Luís Montenegro reitera a sua confiança nas pessoas, na iniciativa privada, no empreendedorismo, e promete dar os passos, nomeadamente ao nível da fiscalidade e dos rendimentos, para tornar Portugal num país mais competitivo e menos desigual, o seu autoproclamado opositor nas próximas legislativas é um convicto crente numa visão estatizante e paralisadora da sociedade, à imagem e semelhança do que defendem os seus potenciais aliados. E é isso que ele não quer que os eleitores saibam.

Mas mesmo sabendo o que o move, confesso que, talvez por ter o privilégio de presidir ao Instituto Francisco Sá Carneiro, me incomoda ouvir alguém, seja quem for, atrever-se a dizer que o PSD, partido fundador da nossa democracia, e que se bateu duramente para a preservar de todas as extremas - a esquerda e a direita - "não é de confiança" ou tem como "parceiro não-assumido" um partido cujos ideais estão nos antípodas dos valores da social-democracia que nos moldaram. A primeira coisa que se exige a alguém que tem a pretensão de vir a liderar um país é que tenha respeito pela sua história e pelas suas instituições.

 

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