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Nos 25 anos da ESAB (Diário do Alentejo)

2010-06-25 - Diário do Alentejo

Estar em Beja, cidade onde nasci, para comemorar os 25 anos da sua Escola Superior Agrária, é um prazer especial. Enquanto Ministra do Ensino Superior, Ciência e Inovação dos Governos de Durão Barroso e de Santana Lopes, visitei o Instituto Politécnico de Beja, a que pertence a Escola Superior Agrária, uma vez em 2003 e duas vezes em 2004. Hoje constato, com profunda emoção, a evolução que o Instituto Politécnico de Beja sofreu nos últimos anos e o impacto que a sua actividade tem tido na região, factos bem explanados nas intervenções do Presidente do Politécnico de Beja, Professor Vito José Jesus Carioca e da Presidente da Escola Agrária, Olga Amaral, na abertura da efeméride. É com projectos de ensino desta qualidade que se constrói o Portugal do futuro, um Portugal mais desenvolvido, mais coeso, mais justo e mais solidário.

Orgulho-me de ter contribuído para o desenvolvimento do Instituto Politécnico de Beja com a adopção de medidas importantes, como sejam: a criação da Escola de Saúde; a conclusão do edifício que ampliou da Escola Superior de Educação, o Contrato de Desenvolvimento num valor superior a 12 milhões de Euros; a construção do Edifício da Escola Superior de Tecnologia e Gestão; o projecto da 2ª Residência Mista de Estudantes com capacidade para 133 camas, no valor de cerca de 2 milhões de Euros; a autorização de vários cursos como por exemplo o curso de Artes Plásticas e Multimédia, Educação e Comunicação Multimédia, Educação Social e Protecção Civil. Todas estas iniciativas nasceram da convicção plena de que a consolidação da oferta formativa do Instituto Politécnico de Beja era crucial para o reforço do seu papel estratégico no desenvolvimento da região.

Aproveitei a minha intervenção, na cerimónia do dia 18 Junho, para recordar alguns desafios que o Instituto Politécnico de Beja, a par de todas as outras instituições de ensino superior do país, têm pela frente. Enquanto Deputada ao Parlamento Europeu tenho responsabilidades de decisão política nas áreas do apoio à ciência, à educação, à juventude, à investigação e à inovação. E dentro do grupo parlamentar europeu do PSD sou responsável pela ligação de proximidade do Parlamento Europeu aos distritos de Beja, Évora, Faro e Portalegre. Isto coloca-me numa posição privilegiada para, por um lado, partilhar com as instituições do Alentejo a visão europeia sobre o futuro do ensino superior e, por outro, para ajudar estas instituições a melhor se integrarem nesta visão.

A Europa vive uma crise de competitividade e as instituições do ensino superior são a chave para sair dessa crise. Mas para poderem desempenhar esse papel têm de aprofundar vários aspectos, entre os quais saliento:

  • a valorização e o apoio claro e explícito a todas as formas de mobilidade geográfica, entre instituições, e intersectorial, dos estudantes, dos docentes e, se possível, também dos funcionários;
  • o reforço da sua visibilidade internacional, mediante parcerias com outras instituições de ensino, politécnicas e universitárias;
  • a assumpção plena da sua autonomia tornando-se verdadeiros actores no quadro da economia global, respondendo às exigências do mercado através do desenvolvimento de parcerias com empresas.

Estou certa que todas estas vertentes estão ao alcance do Instituto Politécnico de Beja, não fora um dos seus mentores o Professor Mariano Feio, o qual, como mencionou o Professor António Parreira no discurso em sua homenagem, era da opinião de que "os docentes deveriam ter uma ligação efectiva ao meio empresarial, nomeadamente à actividade privada. Sobretudo, não ministrar um ensino confinado às quatro paredes das salas de aula."

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