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Investir nas PME para gerar emprego na Europa (Diário Económico)

2012-10-17

Artigo de Madalena Queirós

As pequenas e médias empresas da União Europeia poderão ter acesso a uma linha de financiamento de 12 mil milhões de euros para investirem em projectos de investigação, tecnologia e inovação. Estes são os valores previstos na proposta do programa Horizonte 2020 que define os fundos que deverão ser investidos a partir de 2014. A proposta prevê um bolo total de 80 mil milhões de euros, 15% dos quais devem ser obrigatoriamente investidos nas pequenas e médias empresas, consideradas as maiores geradoras de emprego no espaço europeu. A proposta está feita Mas a aprovação final dependerá da votação, a 23 e 24 de Novembro, das perspectivas financeiras para a União Europeia até 2020. Esta discussão será "a batalha das nossas vidas" resumiu Nellie Kroes, vice-presidente da Comissão Europeia, durante o debate sobre o Horizonte 2020 que decorreu há seis dias em Bruxelas. O objectivo deste programa é "responder a crise económica, investindo em empregos futuros e crescimento" e "fortalecer a posição global da UE na investigação, na tecnologia e na inovação". E as ambições não são pequenas. Pretende-se garantir a "liderança industrial" da Europa, garantir uma "ciência de excelência" e responder aos "desafios societais da Europa", como o envelhecimento da população e a integração das imigrantes.  
 
E como é que se consegue garantir a "liderança industrial da Europa no mundo"? A resposta passa por fazer "investimentos estratégicos em tecnologias chave", conseguindo mais "investimento privado em investigação e inovação, e apostando na criação de "pequenas e médias empresas inovadoras, para criar crescimento e empregos". Como? Investindo pelo menos 6,8 mil milhões de euros do total do programa nas PME e garantindo o acesso a fundos de capital de risco. Também deverão ser investidos cerca de 13,7 mil milhões de euros em tecnologias de inovação, nanotecnologias, espaço e biotecnologia para garantir a liderança em tecnologia industrial.  
 
"Para garantir a Ciência de excelência o programa pretende ainda garantir aos investigadores o acesso às melhores infra-estruturas" para que a Europa possa desenvolver atrair e reter talentos. Por último o programa prevê responder aos desafios societais da União Europeia como alterações demográficas e envelhecimento da população, mas também sectores como a segurança alimentar, agricultura sustentável, energia segura, limpa e eficiente.  
 
O desafio agora é garantir que as empresas e universidades portuguesas começam a prepararse para terem sucesso na corrida a estes fundos. Até porque todos os projectos vencedores implicam um longo trabalho "nos corredores do parlamento", confidenciou a euro-deputada Graça Carvalho à margem do debate. Fundamental é criar um sistema de "lobbing" dos interesses portugueses junto ao Parlamento e Comissão Europeia. Essa é uma das certezas do grupo de empresários e investigadores que na semana passada se deslocou ao Parlamento Europeu para assistir à discussão final sobre o programa Horizonte 2020.  
 
 
ALGUNS DOS PROJECTOS EM EXPOSIÇÃO NO PARLAMENTO EUROPEU  
 
O robô doméstico  
 
Chama-se Domeo é um robô doméstico criado para apoiar as pessoas que vivem sozinhas seja idosos ou acamadas. Contacta o médico em caso de emergência, controla a toma dos medicamentos e até encomenda as compras que estão em falta. Com um custo médio actual de 15 mil euros, está em testes mas poderá ser comercializado em breve. O Objectivo é com a produção em massa baixar o custo para os 5 mil euros. M.Q.  
 
Aranha cirurgiã  
 
O projecto chama-se Araknes, porque desenvolveu um braço articulado que funciona como uma aranha que pode ajudar os cirurgiões nas operações abdominais mais delicadas feitas pelo umbigo. Um micro-robô que pode ser guiado pelo cirurgião à distância, e que observa todos os procedimentos a serem realizados através de uma imagem projectada num monitor 3D. O projecto foi financiado pelo 7º programa Quadro de União Europeia. M.Q.  
 
O E car  
 
Um carro electrónico que se alimenta de energia elétrica, gerindo a utilização da energia através da internet foi um dos projectos que se podiam ver na exposição "Made in Europe - ICT building blocks tacvkling societal challanges". Inaugurada a semana passada nas instalações do Parlamento Europeu em Bruxelas tem como objectivo mostrar algumas das tecnologias desenvolvidas na União Europeia financiadas pelo 7o Programa Quadro de fundos europeus. M.Q.  
 
EMPRESAS TÊM QUE FAZER "LOBBING" EM BRUXELAS  
 
Como garantir que as empresas portuguesas conseguirão uma maior fatia destes fundos europeus? A resposta e fazendo 'lobbing' junto de Bruxelas. "Falta da parte das entidades portuguesas algum lobby junto da União" afirma José Carlos Amador, director da Investigação da Martifer Solar. Outros dos obsctáculos a ultrapassar é a "parte burocrática" e encontrar os "parceiros certos, não pelas suas competências técnicas para executar o projecto, mas aqueles que ou já têm algum currículo na União, ou aqueles que fazem parte de um conjunto restrito de entidades "referenciadas" à União", revela. Para já o programa Horizonte 2020 "parece ser menos burocrático e que para além do apoio aos grandes projetos, como não poderia deixar de ser, faz referência a projetos mais pequenos mas de elevada importância". Este responsável da Martifer solar defende que "no que toca à energia e ao solar fotovoltaico em particular, seria importante que os países do Sul da Europa, (e todos aqueles que estão a apostar nesta área), não sejam prejudicados pelos países que têm interesses em canalizar todos os fundos para outras áreas, como por exemplo é o caso da Alemanha e França para o Nuclear". M.Q.  
 
SIMPLIFICAR AS REGRAS É ESSENCIAL  
 
Simplificar as regras e garantir que não existam "cortes significativos no orçamento proposto" para o Horizonte 2020 são duas das recomendações de Luísa Matos. Directora da ISA Academy General. Depois há que "focar estes financiamentos em projectos cujos resultados estejam mais próxima do mercado, contribuindo de forma mais efectiva para a competitividade da europa", sugere. Esta empresa tecnológica conseguiu oito projectos no 7º Programa - Quadro de Fundos Europeus. Luísa Martins afirma que "não é de todo simples entrar nestas redes de consórcios europeus". "As principais dificuldades passam pela complexidade do próprio programa, existe muita informação disponibilizada pela Comissão Europeia, mas desconstruir toda essa informação de forma a montar uma proposta vencedora e alinhada com os objectivos de determinada Call não é tarefa simples", alerta.  
 
ENCONTRAR PARCEIROS PARA CONSÓRCIOS  
 
A Universidade de Aveiro (UA) tem sido uma das instituições de ensino superior que tem participado em diversos projectos de investigação apoiados no âmbito de vários programas comunitários. "No caso do 7º programa quadro, actualmente em vigor, a UA foi parceira ou coordenadora de 41 projectos" revela Ana Daniel, gestora de ciência e tecnologia na UA. Reconhece que para as universidade "uma das principais dificuldades é, por um lado, a participação em consórcios internacionais e, por outro, a capacidade de fazer "lobby" junto da Comissão Europeia". M.Q.