Imprensa

Imprensa

Especialistas dizem que receita mais rápida contra agências de "rating" é "não lhes dar ouvidos" (Jornal de Negócios)

2011-07-11

Depois da agência de notação financeira Moody's ter cortado, na terça-feira, o "rating" português para a categoria de "junk" (lixo), a opinião de diversos peritos é que as instituições europeias devem reduzir as notações de risco à mera opinião. "Sou céptico quanto a qualquer referência do Banco Central Europeu (BCE) aos ratings. Eles podem lê-lo como uma opinião, simplesmente, a opinião de um privado. Mas nunca devem tomar qualquer decisão, comprar dívida soberana, aceitá-la como colateral, só porque tem um certo "rating", isso deveria acabar já", tal como os Estados Unidos já o começaram a fazer", disse à Lusa o director do Instituto para a Estabilidade Monetária e Financeira da Universidade de Frankfurt, Helmut Siekmann. O BCE decidiu esta semana aceitar a dívida soberana de Portugal como colateral no financiamento aos bancos, suspendendo a regra que proibia a aceitação de dívida com notação de "junk" ou seja, de nível especulativo.

Sony Kapoor, diretor-geral do centro de investigação económica Re-Define, com sede em Bruxelas, concorda que os líderes europeus deveriam andar menos a reboque dos 'ratings'. "Temo bem que se esteja a dar muita atenção e muita importância às agências e às suas ações", considerou Sony Kapoor em declarações à Lusa, numa opinião que Pascal de Lima, economista-chefe da consultora Altran, partilha. "A primeira reacção, de curto prazo, passa por esquecer a importância das agências de notação. O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, tem perfeita razão dizendo que agora é preciso, na regulamentação financeira, esquecer completamente essa parte do sistema financeiro", afirmou.

Para a eurodeputada Maria da Graça Carvalho, do PSD, da comissão de Orçamento e Finanças do Parlamento Europeu (PE), a Europa deve ter "a opinião das agências de rating na sua devida proporção", mas não mais. "Os decisores políticos podem fazer uso da sua própria informação, de mais agências de rating e das suas próprias avaliações, como do FMI e do BCE, diversificar as fontes de informação e deixar de recorrer às agências dominantes no mercado", considerou. Graça Carvalho defende também a criação, "não por iniciativas governamentais mas a nível dos mercados, de agências de raiz europeia".

Helmut Siekmann mostra-se céptico, apesar de louvar a proposta do PE que trata a notação de risco como um bem público, que não deve depender totalmente do mercado. "Mais uma agência, provavelmente, não soluciona o problema, porque em vez de ter as três grandes agências, passa a haver quatro. Como é que seria financiada de forma a evitar conflitos de interesse?", disse Siekmann. Simon Kapoor resume, numa frase, o que todos os outros especialistas pensam, que o importante é que os governos europeus se mostrem à altura das circunstâncias. "Os líderes europeus precisam é de se focar em arrumar a casa, e de chegar a uma solução rápida e decisiva para a crise", afirmou.