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Cortes da UE podem comprometer luta contra doenças em África (LUSA)

2012-11-06

Eurodeputada Maria da Graça Carvalho preocupada com os cortes no orçamento para pesquisas de doenças como a malária, a tuberculose e a SIDA

A eurodeputada Maria da Graça Carvalho manifestou grande preocupação pelas propostas da Comissão Europeia de cortar os financiamentos do programa que promove a pesquisa de doenças como a malária, a tuberculose e a SIDA na África subsaariana.

«Estamos neste momento numa difícil negociação em torno do orçamento europeu, e há uma proposta da comissão, apoiada pelo parlamento e por parte dos Estados-membros, de diminuir (os financiamentos)», disse a eurodeputada, em declarações à agência Lusa.

Segundo Maria da Graça Carvalho, «se houver uma redução drástica do orçamento europeu, programas como este terão de ser reduzidos». «O que é uma pena porque estes programas contribuem para o avanço da ciência, para o bem-estar da humanidade, para a criação de empregos, também na Europa», lamenta a eurodeputada do PSD.

A eurodeputada portuguesa, que é também membro do Comité para a Indústria, Pesquisa e Energia da Assembleia Parlamentar Conjunta ACP-UE, participa desde segunda-feira no segundo encontro do programa EDCTP, na Cidade do Cabo, e declarou sentir-se «extremamente gratificada» com os resultados práticos do programa, financiado por fundos públicos europeus e também privados, quer em África, quer também na própria Europa.

«Foi fantástico ver, em algumas clínicas que visitámos na zona do Cabo, o entusiasmo com que trabalham africanos, mas também médicos e enfermeiros europeus, na pesquisa, por exemplo, de uma vacina para a SIDA e para a tuberculose, no combate a doenças diretamente relacionadas com a pobreza, e o alcance de todo o programa na vida dos mais carenciados com benefícios diretos para a ciência»,
salientou a eurodeputada.

O EDCTP, iniciado em 2003 e apoiado por 16 nações europeias e 29 da África subsaariana, recebe 400 milhões de euros de financiamento europeu, incluindo 200 milhões doados pelos Estados-membros, 80 milhões de euros doados pelas empresas farmacêuticas, organizações não-governamentais e outras, tais como a Fundação Bill & Melinda Gates, e abrange 195 projetos, entre os quais 57 ensaios clínicos.

Em Moçambique, por exemplo, refere Maria da Graça Carvalho, os projetos centram-se, além do HIV e da tuberculose, no combate à malária e à dengue, doença que está neste momento a alastrar na Madeira.

O 2.º encontro do programa EDCTP foi presidido pela ministra da Ciência e Tecnologia sul-africana, Naledi Pandor, e contou com o alto-representante do programa, o ex-primeiro-ministro de Moçambique, Pascoal Mucumbi, além de outros governantes, cientistas e ativistas.

Maria da Graça Carvalho, que foi uma das oradoras da sessão de abertura do evento, referiu a importância do programa para muitas comunidades locais. A eurodeputada deu como exemplos o Centro Desmond Tutu de Combate à SIDA, onde se conduzem testes clínicos de uma vacina para a SIDA e se formam líderes jovens que espalham a mensagem da prevenção, bem como um outro, no bairro degradado de Kayelitsha, onde numa clínica se tratam doentes infetados essencialmente com tuberculose, incluindo testes de uma nova vacina.

«As clínicas funcionam em condições rudimentares, muitas das instalações são em contentores, mas que não existiriam sem o EDCTP, além do mais possuem, além da investigação científica, uma forte componente de ajuda à comunidade, na prevenção, no tratamento da tuberculose e várias outras situações clínicas, como diabetes, tensão alta e outras», concluiu a eurodeputada.