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A central nuclear espanhola de Burgos, já deveria ter fechado - Entrevista à Graça Carvalho (LUSA)

2011-05-20

A central nuclear espanhola de Burgos, gémea da japonesa de Fukushima, que sofreu o pior acidente nuclear em 25 anos, já deveria ter fechado, mas Madrid decidiu prolongar-lhe a vida até 2013, disse à Lusa a eurodeputada Maria da Graça Carvalho.

A eurodeputada social-democrata, que integra a comissão de Indústria, Investigação e Energia, diz que a situação atual da central de Burgos não causa alarme e aconselha esperar pelos testes de resistência da União Europeia às centrais nucleares da Europa, que submeterá as unidades a normas de segurança mais severas.

"A situação no país vizinho, é um pouco preocupante. Há oito centrais em Espanha e uma delas - de Burgos - foi construída em 1970. Como a vida máxima de um reator nuclear é de 40 anos, esta central já devia ter encerrado. É uma central igualzinha à de Fukushima, teve a vida prolongada por decisão governamental até 2013 e, portanto, é das que necessita um teste de resistência imediato", disse Graça Carvalho, em entrevista à agência Lusa.

"Claro que a central de Burgos está numa localização completamente diferente. Não tem riscos sísmicos, ou são muitos reduzidos, não está ao pé do mar. Não é para se ficar alarmado, mas é preciso verificar. Está perto do fim de vida e, se demonstrar alguma debilidade ou fragilidade, deve ser encerrada", acrescentou.

A 11 de março, a central nuclear de Fukushima sofreu o impacto do terramoto que abalou o Japão e causou 25 mil mortos e desaparecidos, para além do impacto de um enorme tsunami, que destruiu o reator nuclear e causou a fuga de radiações para as populações, na pior crise nuclear desde Chernobyl, há um quarto de século.

"Fukushima é uma noite que vai começar para o nuclear durante muitos anos, até aparecer uma nova geração de tecnologia sem os problemas de hoje", considerou Graça Carvalho, que apontou a forma como lidar com os resíduos, a reação a catástrofes naturais e a ataques terroristas como as três principais vulnerabilidades desta forma de produção energética.

Com mais de um terço da eletricidade europeia a sair das centrais, a Europa não conseguirá abandonar de imediato o nuclear, mas Graça Carvalho destacou a importância das energias renováveis e da futura interligação das redes europeias de eletricidade e gás natural para, a pouco e pouco, acabar com a sombra das centrais.

"Tem que haver um equilíbrio, temos que manter as centrais mais seguras em funcionamento e que nos preparar rapidamente para um alternativa, porque 31 por cento da energia elétrica tem origem nuclear", afirmou.

A eurodeputada, que sublinhou a importância das políticas de eficiência energética para poupar cerca de 20 por cento na eletricidade que os europeus consomem, realçou também o papel dos testes europeus de resistência - que abrangem cerca de 150 centras europeias e outras em países vizinhos da União Europeia - enquanto a Europa não conseguir abandonar a era atómica.

"O que se está a fazer é tornar mais restritivos e exigentes os standards atuais - que são os da Agência Internacional de Energia Atómica - tendo como pano de fundo o que se aprendeu no acidente de Fukushima, aplicá-los a todas as centrais e tentar acordos para que as centrais dos países vizinhos também o façam", referiu.

Número de Documento: 12567651

Lisboa, Portugal 20/05/2011 09:15 (LUSA)
Temas: Acidente nuclear, Economia, Negócios e Finanças, Energia, electricidade (prod e dist), Economia (geral), Energias renováveis

*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***